ANME e SOBRAPEM contestam informações sobreimplantes hormonais divulgadas pelo Gshow

A Associação Nacional Magistral Estéril (ANME), entidade representativa das farmácias de manipulação estéreis em território nacional, e a Sociedade Brasileira de Farmacotécnica e Pesquisa em Manipulação (SOBRAPEM) manifestam sua discordância em relação a informações veiculadas em matéria publicada pelo portal Gshow, da Rede Globo, que trata os implantes hormonais subcutâneos como “bombas” de anabolizantes e práticas “sem respaldo científico”.

Reconhecemos a relevância de esclarecer o público sobre o uso responsável de hormônios e a necessidade de coibir práticas sem indicação médica ou respaldo técnico. Contudo, a forma como o tema foi conduzido na referida matéria ignora a existência de evidências científicas e diretrizes internacionais que reconhecem a utilização de implantes hormonais em contextos terapêuticos específicos, devidamente regulamentados e monitorados por autoridades sanitárias em diversos países.

  1. Base científica e reconhecimento internacional

Os implantes hormonais são reconhecidos por órgãos oficiais como o British Menopause Society (BMS), no Reino Unido, como opção válida de reposição hormonal, especialmente no manejo de disfunção sexual hipoativa em mulheres. Além disso, hospitais públicos vinculados ao National Health Service (NHS), como o Chelsea and Westminster Hospital e o Sandwell and West Birmingham NHS Trust, mantêm protocolos clínicos amplamente acessíveis, que orientam médicos e pacientes quanto ao uso seguro de implantes, incluindo recomendações sobre indicação, dosagem e monitoramento.

É relevante, portanto, levar em consideração que o método possui respaldo técnico e validação institucional em sistemas de saúde de referência mundial, com tradição científica amplamente consolidada.

  1. Segurança farmacológica

A discussão sobre implantes hormonais exige clareza técnica para separar o uso terapêutico baseado em evidências científicas do uso abusivo ou estético, que não representa a prática ética da medicina. Isto é, a via subcutânea, quando aplicada sob prescrição e acompanhamento médico, possui finalidade legítima e amparo em protocolos internacionais.

Nesse contexto, é importante ressaltar que o argumento do desconhecimento da taxa de liberação hormonal não condiz com a realidade técnica das farmácias magistrais autorizadas pela Anvisa. Essas unidades seguem rigorosos testes in vitro para padronização de dissolução e curva farmacocinética. Esse mesmo princípio é aplicado em adesivos transdérmicos, anticoncepcionais de depósito, implantes contraceptivos e formulações de liberação prolongada, amplamente aceitos e utilizados na prática médica contemporânea.

  1. Terminologia e responsabilidade comunicacional

Destaca-se, ainda, que a expressão popularmente conhecida como “chip da beleza” não faz parte do vocabulário médico. O termo surgiu no âmbito midiático e foi incorporado ao debate público, mas não representa de forma adequada o conceito científico dos implantes hormonais subcutâneos utilizados em contexto terapêutico.

Importa que a comunicação em saúde adote terminologia precisa e pautada por evidências, evitando distorções que possam gerar confusão entre o público e comprometer a credibilidade de tratamentos regulamentados. A utilização de nomenclatura técnica contribui para uma discussão mais qualificada, centrada em evidência científica e responsabilidade.

Conclusão

A ANME e a SOBRAPEM reafirmam seu compromisso com a ciência, a ética e a segurança sanitária, e defendem que o diálogo público sobre implantes hormonais seja pautado pelo respeito à medicina baseada em evidências. Generalizações e distorções comprometem a credibilidade do debate e confundem a população. Assim, o foco deve permanecer na prática segura, regulamentada e responsável, em benefício da saúde e do paciente.

Associação Nacional Magistral Estéril – ANME
Sociedade Brasileira de Farmacotécnica e Pesquisa em Manipulação – SOBRAPEM